Congresso de Neurologia em Lisboa dedicado à Neurogenética

38% mais mortes devido a doenças neurológicas nos últimos 25 anos: os especialistas pedem o fim das lacunas nos tratamentos

O número de pessoas que morreram ou ficaram incapacitadas devido a distúrbios cerebrais aumentou drasticamente nos últimos 25 anos. Este facto deve servir como um alerta para que os políticos otimizem a prestação de cuidados de saúde, afirmam os principais especialistas em Neurologia no 4.º Congresso da Academia Europeia de Neurologia, em Lisboa. Este ano, a reunião científica em grande escala centra-se no tema da Neurogenética.   

‘Os distúrbios cerebrais como o AVC, a demência, as cefaleias, a esclerose múltipla e a doença de Parkinson são a principal causa de incapacidade na Europa e a segunda causa de morte mais comum. As implicações humanas e económicas – de anos de vida perdidos a custos diretos e indiretos – não devem ser algo em que apenas os investigadores se concentram, devendo os políticos, em especial, fazê-lo também’, disse o Prof. Günther Deuschl, presidente da Academia Europeia de Neurologia (EAN), no início do 4.º Congresso da EAN, em Lisboa. Um grupo internacional de investigadores mostrou a prevalência de distúrbios cerebrais no estudo Global Burden of Disease (Carga Global da Doença): em 2015, registou-se um total de 250,7 milhões de DALY (anos de vida ajustados por incapacidade) – ou seja, anos de vida saudável perdidos devido a doença ou morte prematura – causados por condições neurológicas em todo o mundo. Trata-se de mais de 10% de todos os DALY. Os distúrbios cerebrais foram responsáveis por 9,4 milhões de mortes no mesmo ano – quase 17% de todas as mortes durante o ano.

AVC e demência são as principais causas de morte ou incapacidade 

O estudo também analisou em que medida os distúrbios cerebrais aumentaram nos últimos 25 anos. Entre 1990 e 2015, houve um aumento global de 36,7% nas mortes atribuíveis a estas doenças, embora o número de fatalidades atribuíveis a AVC ou a doenças neurológicas transmissíveis tenha diminuído significativamente durante o período. O número de DALY também aumentou durante o mesmo período, em cerca de 7,4%. ‘Não há um final à vista para esta tendência, que é causada principalmente pelo crescimento populacional e pelas alterações demográficas. No entanto, os principais impulsionadores destes desenvolvimentos são o AVC e a demência’, explicou o Prof. Deuschl.

A nível global, o AVC é o distúrbio cerebral responsável pelo maior número de DALY (47,3%), bem como pelo maior número de mortes (67,3%). A doença de Alzheimer e outras formas de demência são a quarta maior causa de incapacidade e a segunda causa de morte mais comum. ‘Os distúrbios cerebrais passaram de um grupo de doenças significativamente subestimado e, muitas vezes, subtratado, para um enorme desafio para a política social e de saúde atualmente’, confirmou o Prof. Deuschl.

A EAN pede mais recursos para a investigação e a prevenção 

A Academia Europeia de Neurologia está atualmente a analisar dados detalhados sobre a prevalência de distúrbios cerebrais na Europa. ‘Queremos processar mais factos e números e apresentá-los às sociedades e políticos nacionais’, afirmou o Presidente eleito da EAN, Franz Fazekas. ‘Os países da UE devem questionar-se se querem investir o dinheiro necessário para prevenir, controlar e curar os distúrbios cerebrais no futuro. Ou se vão ter de gastar o dinheiro de qualquer maneira, pois o número de doentes continua a aumentar’, acrescentou. A Academia Europeia de Neurologia pede mais medidas preventivas e estruturas graduais de cuidados preventivos para os principais distúrbios cerebrais.

Conforme referido pelo Prof. Fazekas, as atividades de investigação e os esforços políticos já estão a começar a dar frutos em várias áreas, como no AVC, em que as taxas de mortalidade e incapacidade subjacentes estão a diminuir constantemente. ‘Uma prevenção melhor e a introdução de unidades especializadas em AVC estão a começar a surtir efeito. Mas ainda existem grandes diferenças na Europa e, em muitos casos, em cada país. Tal foi confirmado no estudo The Value of Treatment (O Valor do Tratamento) realizado pelo Conselho Europeu do Cérebro: até oito em cada dez pessoas na Europa, com um distúrbio cerebral, continuam sem tratamento ou são tratadas de forma inadequada, embora existam terapêuticas eficazes. Em muitos casos, os métodos de tratamento estão inadequadamente documentados, faltam instalações especializadas, perdem-se oportunidades de reabilitação ou é fornecido apoio psicossocial insuficiente aos doentes e às suas famílias.

Garantir a existência de fundos suficientes para apoiar e intensificar projetos de investigação transfronteiriços é um aspeto essencial para fazer frente aos encargos com distúrbios cerebrais. ‘Esperamos que estes factos convençam os políticos e os decisores a investir no futuro da nossa sociedade e a gerar programas de investigação para reduzir os encargos com distúrbios neurológicos’, declarou o Prof. Fazekas.

Tema dominante: Neurogenética 

Este ano, o 4.º Congresso da EAN em Lisboa centra-se particularmente na Neurogenética, à medida que surgem novos conhecimentos sobre as influências genéticas em numerosos distúrbios cerebrais. Ainda mais excitante é o facto de a terapêutica genética parecer estar a entrar na prática clínica. ‘No congresso, vamos mostrar aquilo que a Neurogenética já consegue alcançar, a direção que a disciplina está a tomar e onde podem estar futuras abordagens e potenciais problemas éticos’, explicou o Prof. Deuschl, Presidente da EAN. ‘A Neurogenética não é uma solução milagrosa com a chave para resolver todos os problemas. Mas ajuda a reclassificar doenças e grupos de doenças, além de prometer abrir novas abordagens de tratamento.’

A Neurogenética é uma ferramenta importante para identificar os muitos distúrbios raros que causam sintomas neurológicos e que, muitas vezes, não são reconhecidos durante muito tempo, deixando os doentes com incertezas sobre o seu estado de saúde. Já existem opções terapêuticas para muitos destes distúrbios, como a substituição de enzimas específicas, os medicamentos direcionados ou uma dieta específica. Existem certas formas da doença dos pequenos vasos (microangiopatia) que podem ser determinadas através de mutações genéticas específicas, havendo consultas disponíveis para os doentes. Nos distúrbios neurológicos frequentes, como a epilepsia, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson, existem formas hereditárias que agora podem ser detetadas, o que significa que as pessoas afetadas podem ser informadas sobre os riscos que podem afetar as suas vidas e as dos seus filhos. Por último, a terapêutica de substituição genética está no horizonte e promete curar até distúrbios progressivos que, de outra forma, seriam implacáveis, como a atrofia muscular espinhal e a ataxia de Friedreich. ‘Gostaríamos de garantir que o maior número possível de pessoas na Europa pode beneficiar das descobertas mais recentes. E o nosso congresso é um valioso centro de informações onde os melhores podem aprender com os melhores’, concluiu o Prof. Fazekas.

Mais comunicados de imprensa em português: 

Imigração e fuga: desafios e potenciais conhecimentos para a Neurologia
Parkinson: evolução diferente da doença nas mulheres e nos homens
Prevenir a demência: megadados e genética como novas abordagens
Trombectomia como terapêutica para o acidente vascular cerebral: também possível nos idosos, mas não sem riscos

Assessoria de imprensa do congresso da Academia Europeia de Neurologia 
B&K – Bettschart&Kofler Kommunikationsberatung
Dra. Birgit Kofler
Tel.: +43-1-319-43-78; +43-676-63-68-930
E-mail: kofler@bkkommunikation.com

LISBOA, Portugal, June 15, 2018 /PRNewswire/ —

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